sexta-feira, 14 de junho de 2013

Parábola do Céu e do Inferno, contada por Leonardo Boff, no seu livro, sempre atual, «Vida para além da morte». Conta o teólogo brasileiro que um certo discípulo terá perguntado ao seu Mestre chinês qual era a diferença entre o céu e o inferno e que este lhe terá dito que entre ambos a diferença era pequena, ainda que de grandes consequências.

«Vi um grande monte de arroz. Cozido e preparado como alimento. Ao redor dele, muitos homens. Famintos, quase a morrer. Não podiam aproximar-se do monte de arroz. Mas possuíam longos palitos de 2-3 metros de comprimento – os chineses, naquele tempo, já comiam arroz com palitos. Apanhavam, é verdade, o arroz, mas não conseguiam levá-lo à própria boca, porque os palitos, nas suas mãos, eram muitos longos. E assim, famintos e moribundos, juntos mas solitários permaneciam, curtindo uma fome eterna, diante de uma fartura inesgotável. E isso era o inferno. Vi outro grande monte de arroz. Cozido e preparado como alimento. Ao redor dele, muitos homens. Famintos, mas cheios de vitalidade. Não podiam aproximar-se do monte do arroz. Mas possuíam longos palitos de 2-3 metros de comprimento. Apanhavam o arroz, mas não podiam levá-lo à própria boca, porque os palitos, nas suas mãos, eram muito longos. Mas, com os seus longos palitos, em vez de levá-los à própria boca, serviam uns aos outros o arroz. E, assim, matavam a sua fome insaciável, numa grande comunhão fraterna. Juntos e solidários. Gozando a excelência dos homens e das coisas. E isso era o céu.»