Parábola
do Céu e do Inferno, contada por Leonardo Boff, no seu livro, sempre
atual, «Vida para além da morte». Conta o teólogo brasileiro que um
certo discípulo terá perguntado ao seu Mestre chinês qual era a
diferença entre o céu e o inferno e que este lhe terá dito que entre
ambos a diferença era pequena, ainda que de grandes consequências.
«Vi
um grande monte de arroz. Cozido e preparado como alimento. Ao redor
dele, muitos homens. Famintos, quase a morrer. Não podiam aproximar-se
do monte de arroz. Mas possuíam longos palitos de 2-3 metros de
comprimento – os chineses, naquele tempo, já comiam arroz com palitos.
Apanhavam, é verdade, o arroz, mas não conseguiam levá-lo à própria
boca, porque os palitos, nas suas mãos, eram muitos longos. E assim,
famintos e moribundos, juntos mas solitários permaneciam, curtindo uma
fome eterna, diante de uma fartura inesgotável. E isso era o inferno. Vi
outro grande monte de arroz. Cozido e preparado como alimento. Ao redor
dele, muitos homens. Famintos, mas cheios de vitalidade. Não podiam
aproximar-se do monte do arroz. Mas possuíam longos palitos de 2-3
metros de comprimento. Apanhavam o arroz, mas não podiam levá-lo à
própria boca, porque os palitos, nas suas mãos, eram muito longos. Mas,
com os seus longos palitos, em vez de levá-los à própria boca, serviam
uns aos outros o arroz. E, assim, matavam a sua fome insaciável, numa
grande comunhão fraterna. Juntos e solidários. Gozando a excelência dos
homens e das coisas. E isso era o céu.»